2 anos de atraso
Há 10 milhões de crianças com mais de 14 anos que
estão no ensino fundamental e não deveriam. isso gera um custo de R$ 6,4
bilhões por ano...
Apavorem-se. Os estudantes brasileiros não estão conseguindo concluir os 8
anos de estudo básico (de 1º série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino
médio).
Mesmo com a promoção automática de série no estado de São Paulo, nossos
estudantes ainda levam mais de oito anos em média para concluir os estudos.
Aluno repete dois anos, em média, de 1ª a
8ª
O estudante brasileiro leva, em média, dois anos a mais do que o esperado
para concluir o ensino fundamental.
Em 2004, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), o tempo médio de conclusão dos oito anos
do ensino fundamental era de 9,9 anos. Ou seja, em vez de completar as oito
séries em oito anos, o aluno perde 1,9 ano por causa da repetência.
Esse tempo varia muito de acordo com o Estado. Na Bahia, por exemplo, chega a
11,7 anos. O menor tempo é encontrado em São Paulo --Estado que mais adota o
sistema de ciclos no ensino fundamental--, onde a média é de 8,6 anos para a
conclusão.
Esse atraso pode ser verificado também série a série. Na primeira série do
ensino fundamental em 2004, 16,7% dos estudantes já estavam atrasados em pelos
menos dois anos, ou seja, tinham nove anos ou mais de idade e continuavam
cursando uma série cuja idade adequada é sete. Essa proporção vai aumentando até
chegar ao percentual de 38,2% na oitava série do fundamental.
Ensino médio
O atraso no ensino fundamental reflete também no ensino médio, já que na
faixa etária de 15 a 17 anos, quando se espera que os estudantes já estejam
cursando o ensino médio, a maioria (56%) deles continuava retida no fundamental.
Mais uma vez, as desigualdades regionais são grandes. No Sudeste, o percentual
de alunos de 15 a 17 anos ainda no ensino fundamental é de 42%. No Nordeste, é
de 72%.
O IBGE não comparou a situação de 2004 com a de anos anteriores, mas as
estatísticas do Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC, Ministério da
Educação) indicam que a reprovação e o abandono --principais causas da distorção
idade/série-- vêm aumentando no ensino médio. Em 2004, 15,3% dos alunos
abandonaram o ensino médio, e 10,5% foram reprovados. São os maiores percentuais
desde 1996.
"Há 10 milhões de crianças com mais de 14 anos que estão no ensino
fundamental e não deveriam. Isso gera um custo de R$ 6,4 bilhões por ano,
porque, quando o aluno repete, pagamos de novo para ele estudar. O pior é que
essa reprovação em massa não está levando ao aprendizado", diz Viviane Senna,
presidente do Instituto Ayrton Senna.
Para ela, os projetos desenvolvidos pelo instituto em conjunto com os Estados
mostram que é possível diminuir as taxas de reprovação sem perda no aprendizado:
"Há a tendência de culpar a criança ou de achar que ela é incapaz de aprender
por vir de uma família pobre. Porém, trabalhando com essas crianças e com os
mesmos professores, conseguimos bons resultados. O que mudou foi a escola".
Cor ou raça
O IBGE divulgou novos dados comparando o acesso à educação por cor ou raça. O
dado que mais evidencia a desigualdade racial brasileira é o relativo ao
percentual de estudantes de cada cor matriculados no ensino superior.
Do total de estudantes brancos de 18 a 24 anos, 46,6% estavam no ensino
superior. Entre os pretos e pardos da mesma faixa etária, esse percentual cai
para 16,5%.
No total da população, há 93,6 milhões de brasileiros que declararam cor
branca, ante 87,4 milhões que disseram ser pretos ou pardos. Ou seja, o número
de brancos é 7% maior que o de pretos e pardos.
- Postado por: Débora às 18h52
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Greve nas escolas municipais de São Paulo
...75% das quase 900 escolas de ensino infantil e
fundamental estão paralisadas total ou parcialmente.
Greve. Esta é a forma preferida da classe trabalhadora se manifestar,
reivindicar melhores condições de trabalho e no trabalho. Em tempos difícieis, a
greve não assusta muito os empregadores. Tanto que ela é amplamente usada em
orgãos públicos, como metrô, escolas, onde o empregado não corre risco de ser
demitido. Imagine se eu me recusar a trabalhar no escritório? Na mesma hora
colocam outra pessoa.
Será que o brasileiro não poderia encontrar uma forma de manifestação que não
depredasse tanto? Digo depredar porque a greve prejudica muita gente, mas não
atinge o bolso de quem interessa. Os dias sem aula nunca serão
devidamente repostos. O aluno vai ficar com aquela lacuna no aprendizado. O
metrô parado não deixa o estado mais pobre. Deixa você na mão que precisa chegar
às sete e zero no escritório.
Então, brasileiro, vamos copiar bons modelos. Fazer greve à moda européia -
metrô parado, nunca mais! Vamos liberar a catraca para todo mundo! Escola sem
aulas, nem pensar: dêem um tempo nas aulas de equação de segundo grau e ensinem
economia doméstica, inclusive para os pais que puderem participar. Enfim, sejam
criativos, manifestem-se, mas parem de depredar o dinheiro público.
Greve nas escolas municipais chega ao 15º
dia [aqui,
leia na íntegra]
SÃO PAULO - A greve dos professores das escolas
municipais entra nesta terça-feira no 15º dia sem qualquer sinal de acordo entre
Prefeitura e servidores. O Município endureceu o discurso na sexta-feira depois
que sua proposta foi rejeitada pela categoria e comunicou que vai descontar os
dias parados. Além disso, exige a volta dos professores às salas de aula para
retomar negociação. Até a noite de segunda-feira, a greve estava mantida.
Segundo o sindicato, 75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental
estão paralisadas total ou parcialmente. (...) Os professores exigem aumento do
piso salarial de R$ 509 para R$ 960 (para professores com ensino médio) e de R$
615 para R$ 1.159 (com curso superior). Segundo a Prefeitura, o salário médio da
rede é de R$ 2.371 e somente 6% dos 53 mil professores recebem o salário-base.
- Postado por: Débora às 11h56
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Bolsão de criança
...Não vejo nenhuma pessoa que possatirar o filho
dali que não tire...
A revista Educação traz uma entrevista muito boa com o filósofo Paulo
Ghiraldelli Jr. Ele acabou de lançar um livro chamado História da Educação Brasileira e concedeu uma entrevista
que faz um apanhado da condições de trabalho na rede pública.
Veja, a seguir, um trecho da entrevista e confira na íntegra aqui.
É o nosso
sistema só para o mal ou também para o bem?
No público, é só para o mal. Não tem nada que se possa elogiar. Hoje, a
escola particular apostilada é a da classe "média-média". A dos ricos é a não
apostilada, onde se usam livros. E aí tem o resto, bolsão de guardar criança.
Chegou-se a uma situação de deterioração completa. Não vejo nenhuma pessoa que
possa tirar o filho dali que não tire. O pai mais carrasco do mundo faz
isso.
- Postado por: Débora às 19h02
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