Escolas hi-tech

Educação e Tecnologia, Educação versus Tecnologia, Educação + Tecnologia, como a tecnologia pode apoiar o educador... esse tema parece não ter fim. Já foi discutido aqui, aqui, aqui e aqui - e muitos outros blogs que a (falta de) memória não me permitiu listar.

Nesta semana saiu mais uma matéria sobre o assunto (publicada em Veja, clique na imagem abaixo para ler).



- Postado por: Débora às 18h41
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Leitura em baixa

O que aconteceu com aqueles outros 30% que tinham dificuldades de leitura?

Desempenho dos alunos em língua portuguesa é baixo, segundo o MEC

A maioria dos alunos da 4ª série apresentou desempenho crítico ou muito crítico na matéria

BRASÍLIA - Cerca de 55% dos alunos de 4ª série do ensino fundamental apresentaram desempenho crítico ou muito crítico em língua portuguesa, de acordo com dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O baixo desempenho em leitura atinge também anos posteriores de ensino. São 26,8% dos alunos de 8ª série do ensino fundamental e 38,6% dos alunos de 3ª série do ensino médio. O dados são referentes a 2003.

A pergunta que fica é: se temos 55% dos alunos de 4a. série com dificuldades graves em língua portuguesa e a porcentagem diminui na 8a. série em 30%, será que esses alunos aprenderam a matéria ou não fazem mais parte dessa estatística?



- Postado por: Débora às 15h34
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Conto da Escola #001 - Vamos dividir a turma?

Vamos dividir a turma?

Em uma escola estadual de Pirituba (SP), uma professora decidiu facilitar seu trabalho com uma turma de segunda série do ensino fundamental: dividiu a classe em quatro fileiras. Nas duas fileiras mais próximas a sua mesa ficam os alunos "inteligentes". Nas duas fileiras de trás, os "burros".

Quem me trouxe essa história foi uma colega, que esteve na escola para fazer um estágio. Um dos meninos, quando viu que ela se sentou na fileira dos "burros" disse: "Moça, por que você está aqui? Essa é a fileira dos burros e você é inteligente".

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Depois ficamos com caras de bobos quando a UNESCO solta o resultado de um estudo que mostra: da primeira à quarta série, taxa de reprovação no Brasil chega a 21%. É maior que a do Camboja.



- Postado por: Débora às 16h06
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A responsabilidade de educar

(...) professores acomodados, que se contentam com a banalização da Educação.

Por muito tempo pensei que se concentrasse somente na família a responsabilidade pelo sucesso da educação dos alunos. Via o processo assim: a escola ensina a matéria (português, matemática etc), pais educam. Se a criança não tem estrutura em casa, não vai conseguir acompanhar as aulas.  

Talvez essa idéia tenha surgido porque é mais fácil achar um culpado frágil: a família brasileira. E os professores se beneficiam há anos desse pensamento comum.

O blog do Professor Atílio de Oliveira traz uma carta de uma professora gaúcha indignada com a atual situação do ensino e acomodação dos professores.

" (...) Pois, professores acomodados, que se contentam com a banalização da Educação, que se conformam com um Sistema de Exploração que torna índigno os espaços educacionais (cada vez mais sucateados e com menor número de recursos humanos) não podem dar bons exemplos mostrando desunião e total apatia frente os problemas da Sociedade e a vulgarização do ENSINO PÚBLICO".

Leia a carta da professora aqui.



- Postado por: Débora às 14h05
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Escola das cavernas


(...) países que apresentam a relação computador / aluno elevada, têm desempenho escolar melhor.

Há 3 anos, falando com uma gerente de banco que estava pedindo meu comprovante de matrícula da faculdade (porque estava abrindo uma conta Universitária), eu disse a ela: Ok, vou imprimir aqui da internet e te levar. Ela respondeu: Da internet? Como assim? E eu expliquei: A USP faz matrícula online... e fui bruscamente interrompida pela gerente: A USP informatizada? hahaha - rindo ironicamente como se eu estivesse contando uma mentira.


O que o pensamento da gerente denunciou é aquilo que todas as pessoas sentem em relação as escolas, principalmente as públicas: escola é um espaço OBSOLETO, que só apresenta lousa, giz e cuspe para o aluno.


O blog da professora Marli trouxe um post sobre uma pesquisa que comprova essa imagem da escola como ambiente offline. A pesquisa foi publicada na revista Época.


Destaco aqui um parágrafo da matéria: "O resultado, divulgado no início deste ano, revela que países como os Estados Unidos, a Austrália e a Coréia do Sul têm um computador para cada três alunos nas escolas. Uma média invejável mesmo para os melhores colégios brasileiros. O Brasil, que ficou em penúltimo lugar no estudo da OCDE, oferece uma média de um computador para cada 50 alunos. "


Logo, os pesquisadores ligaram pontinhos: países que apresentam a relação computador/aluno elevada, têm desempenho escolar melhor.


A proposta do ensino apoiado pela tecnologia foi lançada na matéria: Os alunos se tornam agentes do conhecimento. Os professores, orientadores do aprendizado.



- Postado por: Débora às 13h21
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Rodízio de professores

Precisava esperar reclamação para contratar mais professores ?

Mais um exemplo de desrespeito de nossos governantes. Em um bairro da periferia de São Paulo há falta de professores e os alunos conseguem assistir a poucas aulas por dia. Professores se revesam para conseguir dar andamento da matéria para séries diferentes ao mesmo tempo... desde o início do ano letivo de 2006.

Inclusive, as escolas da prefeitura de São Paulo já passaram neste ano por uma greve de 15 dias. Um dos trechos da matéria do Agora, que noticiou esse absurdo, dizia: "De tanto as mães reclamarem, acho que eles estão contratando professores novos".  Fica a pergunta: precisava esperar reclamação por parte dos pais para contratar mais professores?



- Postado por: Débora às 18h34
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Você gosta de ler blogs?

Neste post vou dar um outro ponto de vista para uma discussão que começou em outros blogs. Um texto do Fabio Seixas mostrou que a blogosfera brasileira está engatinhando. E aí pintaram várias teorias - muito boas - do por quê. Li de cabo a rabo vários posts e seus respectivos comentários sobre esse assunto e destaco alguns textos: "O que está faltando aos blogs brasileiros?" ou "Problemas da blogosfera brasileira" ou "Minha terra tem blogueiros, que não sabem conversar". Desses textos você certamente vai cair em outros, não menos interessantes.

Nessa discussão toda, o que me motivou escrever esse post-resposta foi ler que a baixa educação do da população brasileira era um dos fatores que estagnavam o crescimento e a credibilidade da blogosfera. É óbvio que a baixa educação de um povo não traz qualquer benefício para qualquer comunidade.

No entanto, para esta discussão eu não me preocupo com "pessoas que não gostam de ler", ou com leitores de fotos ou de títulos. Posso me considerar privilegiada por viver rodeada de pessoas esclarecidas, estudiosas, formadoras de opinião. Essas pessoas que conheço não consomem textos de blogs. Por quê? São pessoas devidamente escolarizadas que têm de 20 a 35 anos, usam diáriamente a internet e não visitam blogs. Esses internautas são público em potencial e temos de pensar como vamos traze-las para nosso humilde blog, faze-las opinar, criar um novo blog. Talvez o modelo "blog" não seja algo bem resolvido. Essa grande discussão aberta do tema "o brasileiro e os blogues" vai nos ajudar a refletir como aumentar os leitores/consumidores desse tipo de veículo. Afinal, essa preocupação dos blogueiros só tem um propósito: todos querem ver idéias circulando de verdade pela web.

Quero finalizar com um trecho do texto do Rodrigo Ghedin:

"(...) acho errado jogar, a esta altura, a culpa nos leitores. Façamos nosso dever de casa primeiro, criando uma blogosfera sólida e comunitária (...)"



- Postado por: Débora às 17h07
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Livros pela cidade

No dia 23 de abril vai começar o movimento Livro Livre. Qualquer um pode participar. Basta pegar um livro que tenha gostado de ler e liberar em qualquer ponto da cidade para que outra pessoa possa lê-lo.

Visite o site http://www.livrolivre.com/ e participe! Livro fechado é livro morto! Eu vou deixar minha contribuição em algum banco de praça por São Paulo.

“Eu sou um LIVRO LIVRE, que está aqui para quem me encontrar. Leve-me para sua casa e desfrute das histórias que levo comigo. Só peço que você me libere assim que terminar a leitura, para que outras pessoas possam também vivenciar a experiência que lhe proporcionei.”



- Postado por: Débora às 18h14
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2 anos de atraso

Há 10 milhões de crianças com mais de 14 anos que estão no ensino fundamental e não deveriam. isso gera um custo de R$ 6,4 bilhões por ano...

Apavorem-se. Os estudantes brasileiros não estão conseguindo concluir os 8 anos de estudo básico (de 1º série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio).

Mesmo com a promoção automática de série no estado de São Paulo, nossos estudantes ainda levam mais de oito anos em média para concluir os estudos.

Aluno repete dois anos, em média, de 1ª a 8ª

O estudante brasileiro leva, em média, dois anos a mais do que o esperado para concluir o ensino fundamental.

Em 2004, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o tempo médio de conclusão dos oito anos do ensino fundamental era de 9,9 anos. Ou seja, em vez de completar as oito séries em oito anos, o aluno perde 1,9 ano por causa da repetência.

Esse tempo varia muito de acordo com o Estado. Na Bahia, por exemplo, chega a 11,7 anos. O menor tempo é encontrado em São Paulo --Estado que mais adota o sistema de ciclos no ensino fundamental--, onde a média é de 8,6 anos para a conclusão.

Esse atraso pode ser verificado também série a série. Na primeira série do ensino fundamental em 2004, 16,7% dos estudantes já estavam atrasados em pelos menos dois anos, ou seja, tinham nove anos ou mais de idade e continuavam cursando uma série cuja idade adequada é sete. Essa proporção vai aumentando até chegar ao percentual de 38,2% na oitava série do fundamental.

Ensino médio

O atraso no ensino fundamental reflete também no ensino médio, já que na faixa etária de 15 a 17 anos, quando se espera que os estudantes já estejam cursando o ensino médio, a maioria (56%) deles continuava retida no fundamental. Mais uma vez, as desigualdades regionais são grandes. No Sudeste, o percentual de alunos de 15 a 17 anos ainda no ensino fundamental é de 42%. No Nordeste, é de 72%.

O IBGE não comparou a situação de 2004 com a de anos anteriores, mas as estatísticas do Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC, Ministério da Educação) indicam que a reprovação e o abandono --principais causas da distorção idade/série-- vêm aumentando no ensino médio. Em 2004, 15,3% dos alunos abandonaram o ensino médio, e 10,5% foram reprovados. São os maiores percentuais desde 1996.

"Há 10 milhões de crianças com mais de 14 anos que estão no ensino fundamental e não deveriam. Isso gera um custo de R$ 6,4 bilhões por ano, porque, quando o aluno repete, pagamos de novo para ele estudar. O pior é que essa reprovação em massa não está levando ao aprendizado", diz Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna.

Para ela, os projetos desenvolvidos pelo instituto em conjunto com os Estados mostram que é possível diminuir as taxas de reprovação sem perda no aprendizado: "Há a tendência de culpar a criança ou de achar que ela é incapaz de aprender por vir de uma família pobre. Porém, trabalhando com essas crianças e com os mesmos professores, conseguimos bons resultados. O que mudou foi a escola".

Cor ou raça

O IBGE divulgou novos dados comparando o acesso à educação por cor ou raça. O dado que mais evidencia a desigualdade racial brasileira é o relativo ao percentual de estudantes de cada cor matriculados no ensino superior.

Do total de estudantes brancos de 18 a 24 anos, 46,6% estavam no ensino superior. Entre os pretos e pardos da mesma faixa etária, esse percentual cai para 16,5%.

No total da população, há 93,6 milhões de brasileiros que declararam cor branca, ante 87,4 milhões que disseram ser pretos ou pardos. Ou seja, o número de brancos é 7% maior que o de pretos e pardos.



- Postado por: Débora às 18h52
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Greve nas escolas municipais de São Paulo

...75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental estão paralisadas total ou parcialmente.

Greve. Esta é a forma preferida da classe trabalhadora se manifestar, reivindicar melhores condições de trabalho e no trabalho. Em tempos difícieis, a greve não assusta muito os empregadores. Tanto que ela é amplamente usada em orgãos públicos, como metrô, escolas, onde o empregado não corre risco de ser demitido. Imagine se eu me recusar a trabalhar no escritório? Na mesma hora colocam outra pessoa.

Será que o brasileiro não poderia encontrar uma forma de manifestação que não depredasse tanto? Digo depredar porque a greve prejudica muita gente, mas não atinge o bolso de quem interessa. Os dias sem aula nunca serão devidamente repostos. O aluno vai ficar com aquela lacuna no aprendizado. O metrô parado não deixa o estado mais pobre. Deixa você na mão que precisa chegar às sete e zero no escritório.

Então, brasileiro, vamos copiar bons modelos. Fazer greve à moda européia - metrô parado, nunca mais! Vamos liberar a catraca para todo mundo! Escola sem aulas, nem pensar: dêem um tempo nas aulas de equação de segundo grau e ensinem economia doméstica, inclusive para os pais que puderem participar. Enfim, sejam criativos, manifestem-se, mas parem de depredar o dinheiro público.

Greve nas escolas municipais chega ao 15º dia [aqui, leia na íntegra]

SÃO PAULO - A greve dos professores das escolas municipais entra nesta terça-feira no 15º dia sem qualquer sinal de acordo entre Prefeitura e servidores. O Município endureceu o discurso na sexta-feira depois que sua proposta foi rejeitada pela categoria e comunicou que vai descontar os dias parados. Além disso, exige a volta dos professores às salas de aula para retomar negociação. Até a noite de segunda-feira, a greve estava mantida. Segundo o sindicato, 75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental estão paralisadas total ou parcialmente. (...) Os professores exigem aumento do piso salarial de R$ 509 para R$ 960 (para professores com ensino médio) e de R$ 615 para R$ 1.159 (com curso superior). Segundo a Prefeitura, o salário médio da rede é de R$ 2.371 e somente 6% dos 53 mil professores recebem o salário-base.



- Postado por: Débora às 11h56
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Bolsão de criança

...Não vejo nenhuma pessoa que possatirar o filho dali que não tire...

A revista Educação traz uma entrevista muito boa com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. Ele acabou de lançar um livro chamado História da Educação Brasileira e concedeu uma entrevista que faz um apanhado da condições de trabalho na rede pública.

Veja, a seguir, um trecho da entrevista e confira na íntegra aqui.

É o nosso sistema só para o mal ou também para o bem?

No público, é só para o mal. Não tem nada que se possa elogiar. Hoje, a escola particular apostilada é a da classe "média-média". A dos ricos é a não apostilada, onde se usam livros. E aí tem o resto, bolsão de guardar criança. Chegou-se a uma situação de deterioração completa. Não vejo nenhuma pessoa que possa tirar o filho dali que não tire. O pai mais carrasco do mundo faz isso.



- Postado por: Débora às 19h02
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